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[CRÍTICA] belle 2021

  • Foto do escritor: Carlos Vilaça
    Carlos Vilaça
  • 27 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

Dizem que os grandes clássicos nunca morrem, apenas mudam, ao serem contados e recontados tantas e tantas vezes, sempre trazendo em suas linhas lições atuais. A história da Bela e a Fera é mais uma entre tantos contos de fada que foram trazidos nas mais diversas roupagens, histórias clássicas, de terror, comédia adolescente ou versões adultas e profundas. Belle (Ryû To Sobakasu No Hime, 2021), do diretor Mamoru Hosada (do incrível Crianças Lobo, de 2012, e de Mirai, 2018, indicada ao Oscar), oferece uma nova versão da obra, agora num mundo de um “Metaverso”, podia ser mais atual?

Suzu (Kaho Nakamura) é uma garota tímida e com um grande trauma não superado, sua mãe morreu de forma trágica quando Suzu era criança. Sua paixão pela música e o carinho com um amigo de infância acabaram sendo soterrados por tantas camadas de baixa autoestima. No entanto, ao ser convidada para ingressar na maior rede de realidade virtual do mundo, o U, ela acaba por ter um avatar que a liberta de tudo isso, Bell. Ao receber a visita da “Fera”(Takero Satoh), Suzu, ou Bell, acaba por se envolver com esse avatar misterioso, com marcas profundas e uma história assustadora por trás.

Claramente existem muitos aspectos da animação da Disney presentes aqui, mas não se engane, aqui a história da Bela e da Fera é usada apenas como um pano de fundo para tratar de uma história muito diferente e bem fora do clichê do gênero. A animação é surpreendente, misturando o 2D no mundo real e um 3D no mundo digital, usando fundos e cenários bem detalhados, como tem sido típico nas obras do diretor, e com uma trilha sonora gostosa, tanto no japonês original quanto no inglês.

Infelizmente, nem tudo é perfeito. Existe história demais para ser contada e muitos personagens relevantes, e cativantes, para serem trabalhados e isso acaba por tornar as 2 horas do filme muito corridas, ao ponto de fazer o espectador se perguntar “o que ela viu nesse monstro?” mesmo sabendo que o filme deve caminhar para isso. Ainda assim, o final recompensa tudo, trazendo uma conclusão séria e esperançosa, com críticas às redes sociais e ao grande vale tudo dali, mas também mostrando que ali temos um lugar onde todos podemos agir com nosso melhor pelo próximo.

Vale destacar aqui que o filmes está indicado ao Annie Awards (“Oscar” da animação) e possui grandes chances de ir ao Oscar.

Nota: 8,5/10

Lucas Feijão


 
 
 

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